Cultura

2ª edição da Noite dos Museus agita a cena cultural de Porto Alegre

Locais públicos que estariam fechados receberam um sábado de público e cultura

Débora Vaszelewski, Johnny Oliveira, Laíse Feijó e Luis Felipe Matos

 

Música, exposições e muita gente. Essa é a fórmula da Noite dos Museus, iniciativa que trouxe uma diferente experiência para 10 museus da capital na noite do último sábado, 20.Com um público que mistura visitantes ávidos desses centros culturais com pessoas que passam pelo local e reparam no movimento não habitual, a Noite dos Museus parece ter sido bem compreendida pelo seus frequentadores: utilizar espaço público ocioso em horários incomuns, propondo cultura através da conexão das artes visuais e da música. A Beta Redação esteve em alguns desses locais e conta para o leitor como foi essa noite.

 

Menino observa os detalhes da obra (Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação)

Menino observa os detalhes da obra (Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação)

No Centro histórico, filas e museus cheios

Eram 19h30min e o público já lotava os arredores do Museu de Arte do Rio Grande do sul (MARGS) e do Memorial do Rio Grande do Sul, ambos na praça da Alfândega, centro de Porto Alegre. A fila era enorme e se estendia por várias quadras. Eram pessoas de todas as idades, acompanhadas ou sozinhas, junto de amigos ou familiares, que iniciaram sua noite de visitação aos museus por ali.

No começo da noite, espera para entrar no MARGS durou até uma hora e meia. (Foto: Laíse Feijó/Beta Redação)

No começo da noite, espera para entrar no MARGS durou até uma hora e meia. (Foto: Laíse Feijó/Beta Redação)

Ainda na fila, a advogada Consuelo Garcia elogiou o evento e a iniciativa de abrir estes espaços para a comunidade. “É uma oportunidade do povo em geral, até aqueles que não tem muito acesso à cultura, estarem acessando os museus da nossa cidade, com programações culturais bem bacanas. Eu cheguei e me assustei com o número de pessoas e isso é ótimo. Vamos iniciar nosso roteiro pelo MARGS e pretendemos visitar mais uns cinco museus ainda essa noite”, disse.

Para o professor Caio Schoer, que leciona história, o evento é um momento importante para que ele tome conhecimento destes espaços culturais da cidade e possa levar para a sala de aula mais adiante. “Acho a iniciativa extremamente válida, pois somos um país de pouco resgate de patrimônio. E uma oportunidade dessas, de levar as pessoas para os museus, inclusive em um horário atípico, achei formidável. É um evento que te estimula a multiplicar essa atitude. A partir do momento que tu vem e participa,  tu não deixa de divulgar. E eu, enquanto professor, vou repassar tudo isso em sala de aula”. conclui o educador.

Público lotou a Praça da Alfândega, local que abriga MARGS e Memorial do Rio Grande do Sul(Foto: Laíse Feijó/Beta Redação)

Público lotou a Praça da Alfândega, local que abriga MARGS e Memorial do Rio Grande do Sul(Foto: Laíse Feijó/Beta Redação)

O evento estimulou também aquelas pessoas que passam em frente ao museus todo dia, mas que em decorrência dos horários e compromissos, não consegue entrar para prestigiar. É o caso de Jaqueline Castilhos. Bancária, ela trabalha em frente ao MARGS, mas viu na Noite dos Museus a oportunidade que faltava para a visitação. “Eu estou todo dia passando por essa praça e agora tenho um olhar diferente. É tão bonito ver tanta gente aqui reunida, mesmo com o medo que as pessoas tem de estar na rua por conta da segurança. Eu estou maravilhada por ver tudo isso, ver o MARGS com essa luz, é uma iniciativa que tem que continuar”, pondera Jaqueline.

A Noite dos Museus atraiu também pessoas de outras cidades que viram na programação um ótimo motivo para visitar Porto Alegre. Foi o caso das amigas Nicole Rapacki e Júlia Cabral, que vieram de Novo Hamburgo especialmente para isso. “Eu achei muito  legal essa iniciativa do evento, porque está trazendo uma nova aproximação das pessoas com a cultura gaúcha e porto-alegrense. Tirando as filas, tá tudo bem legal e organizado. Fomos no Memorial do Rio Grande do Sul e ele estava repleto de obras pra gente analisar a cultura do gaúcho, com muita segurança e organização”, garante a estudante de Direito.

Júlia Cabral elogiou a organização do evento e disse que ela e a amiga ainda pretendiam visitar mais museus além do Memorial e MARGS. “Viemos de Novo Hamburgo só pra participar do evento e isso aproxima a gente de outros lugares. Já passamos por pessoas de vários lugares, alguns até falando espanhol, então veio muita gente mesmo, o que eu achei muito legal”, finaliza a estudante de Relações Públicas.

Movimentação atrai quem passa pelos locais

A Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ) também está no roteiro da Noite dos Museus. Quem passou pela Casa Rosa conferiu as exposições Charrúa, do artista visual uruguaio Gustavo Tabares e Música de Passarinho, do artista Antônio Augusto Bueno. Grupo CCOMA, Thiago Ramil, TOQUE com Felipe Zancanaro e Jam Session Thiago Ramil & Felipe Zancanaro foram as atrações musicais que o público prestigiou.

Movimentação foi intensa no vão do antigo Hotel Majestic (Foto: Débora Vaszelewski/Beta Redação)

Movimentação foi intensa no vão do antigo Hotel Majestic (Foto: Débora Vaszelewski/Beta Redação)

Acompanhada da mãe e os três sobrinhos, Júlia de 10, Bryan de 9 e Catrine de 5 anos, Samantha Aline da Silva não sabia que a Noite dos Museus foi marcada para a mesma noite em que levou a mãe, Iara Maria e os sobrinhos para conhecer a Casa de Cultura Mário Quintana. A família veio de Guaíba para passear na Capital e estendeu o passeio para conferir a programação da noite. “Eu vi que a Casa estava com bastante movimento, me informei com o pessoal da organização e eles nos convidaram para acompanhar o evento. Acho que este tipo de evento é importante para manter e incentivar os espaços culturais abertos para a população”, explica Samantha.

Noite atrai frequentadores habituais dos museus e também público que passa pelos locais (Foto: Débora Vaszelewski/Beta Redação)

Noite atrai frequentadores habituais dos museus e também público que passa pelos locais (Foto: Débora Vaszelewski/Beta Redação)

A Noite dos Museus chegou para a arquiteta Andreia Bocian por meio das redes sociais. Foi pelo Facebook que ela ficou sabendo do evento e foi ver as exposições. “Não visito museus com frequência, só quando vem uma exposição muito diferente. Eu acho esta iniciativa muito boa porque é uma possibilidade cultural de visitarmos os museus em um horário que não estamos habituados, eu acho que movimenta a cidade e trás coisas positivas”, elogia Andreia.

Uma das atrações musicais da noite foi o CCOMA, que abriu a programação musical com seu ritmo eletrônico. O duo já tem 13 anos de estrada, é formado por um trompetista e um percussionista e, há pelo menos um ano e meio, conta com a figura feminina da vocalista e tocadora de acordeom Etiene Nadine dos Reis. “Minha primeira vez cantando na Noite dos Museus, uma grande oportunidade. Acho incrível este evento, que seja a segunda edição de muitas edições. É bacana para que muitas pessoas, não só do centro de Porto Alegre, mas de outras regiões também tenham oportunidade de conhecer os museus da nossa cidade”, destaca Etiene.

Iberê iluminado por dentro e por fora

 

Luzes colorem a fachada branca da Fundação para a Noite dos Museus (Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação)

Luzes colorem a fachada branca da Fundação para a Noite dos Museus (Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação)

Colorido pela iluminação projetada em sua inconfundível estrutura, a Fundação Iberê Camargo estava vestida para uma ocasião especial. Com suas portas abertas em um horário atípico para visitação, o museu foi um dos locais que receberam os shows musicais da programação da Noite dos Museus, que aconteceu neste último sábado, 20.

Público admira as peças do acervo do museu (Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação)

Público admira as peças do acervo do museu (Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação)

Os visitantes que estiveram na Fundação devido ao evento tiveram ainda a oportunidade conhecer seu acervo e as exposições Depois do Fim e No Drama. A professora de música Lúcia Carpena já conhecia o museu, mas não compareceu ao evento no ano passado. “É a primeira vez que participo da Noite dos Museus. E, eu vejo isto como uma iniciativa civilizatória”, afirma.

Lúcia Carpena – professora de flauta doce na UFRGS (Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação)

Lúcia Carpena – professora de flauta doce na UFRGS (Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação)

Lúcia entende que a população aproveita pouco a cultura local. “Ocasiões como esta fazem com que vivamos mais a cidade, que possamos interagir com os nossos espaços culturais em um horário que não é o habitual”, diz. A professora conta que lhe traz satisfação de aproveitar em Porto Alegre, sua cidade natal, um evento que pode ver em Berlim, onde morou.

Peças em exposição atraem a atenção dos visitantes (Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação)

Peças em exposição atraem a atenção dos visitantes (Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação)

Grupos de amigos, casais de namorados e famílias com crianças puderam percorrer todos os pavimentos do museu e interagir com as obras enquanto os shows se revezavam a cada meia-hora. A segunda atração a ocupar o espaço musical da noite foi a violoncelista Milene Aliverti. Começando sua apresentação solo pontualmente às 20h30, atraiu a atenção do público com músicas clássicas e vibrantes.

Público desfruta da apresentação da violoncelista (Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação)

Público desfruta da apresentação da violoncelista (Foto: Luis Felipe Matos/Beta Redação)

Milene entende a importância do projeto para a cidade. “Este é um projeto de extrema relevância. Por vivermos em uma sociedade consumista, as pessoas optam geralmente por lugares que visam o consumo e não a arte”, desabafa. “A arte engrandece, enobrece. Por isso, foi um orgulho ter sido convidada pelo professor Francisco Marshall para participar”, agradece a violoncelista.

Além da violoncelista, apresentaram-se Amauri Iablonovski e Michel Dorfman, Zé Flávio Trio e o clarinetista Pedro Dom.

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