Cultura

OPINIÃO: Aerosmith, um voo ao passado

Banda norte Americana reuniu gerações para lembrar os tempos em que o Rock and Roll era grande

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Show lotou Anfiteatro Beira-Rio e emocionou fãs com clássicos. Foto: Thomas Bauer/Beta Redação

 

A performance do Aerosmith no Anfiteatro Beira-Rio só faltou fazer chover em Porto Alegre na última terça-feira. O que na realidade foi bom, já quem em 2010 a banda se apresentou sob chuva no precário estacionamento da Fiergs.

Os roqueiros beirando os 70 anos pareciam ter mais energia do que a própria plateia, levando o show com a maestria de quem tem o palco como  casa. Steven Tyler rodopiava o pedestal de seu microfone como um espadachim habilidoso manejaria uma espada. A cada sucesso executado, cortava o ar com a vibração de seu timbre de voz agudo único. O guitarrista Joe Perry parece que só melhorou a técnica com a idade, fazendo uma performance única de ícones consagrados.

O público parecia não acreditar que Tyler ainda pudesse se atirar no chão ou subir em cima de um piano para cantar o primeiro hit da banda, Dream On, lançado em 1973.  As câmeras que reproduziam ao vivo o show pareciam ter se transportado no tempo, filmando Tyler no auge.

“O que vocês querem ouvir?” foi a pergunta, quase retórica, do vocalista no início do show. A resposta foi dada pela própria banda, que puxava o riff  de um sucesso marcante atrás do outro. Cryin’, Crazy, Sweet Emotion e Walk This Way levantaram o público.

Na introdução de I Don’t Wanna Miss a Thing, não houve coração que não tenha lembrado da pessoa que ama ou que um dia já amou. A trilha do filme Armageddon foi sem dúvida um dos pontos altos do show, um suspiro do rock que teve que se disfarçar de pop em Hollywood para sobreviver às mudanças culturais dos anos 90. Não à toa, a música mais recente do setlist foi Pink, de 1997. As músicas lançadas pela banda após isso não tiveram relevância.

O show do Aerosmith na verdade foi uma lembrança do estilo que dominou o mundo por quase 60 anos. E não vou citar a velha ladainha de que o “rock morreu”. Na verdade, ele encheu o saco e precisa dar um tempo.

A postura dos próprios fãs da banda, que esgotaram os ingressos em apenas três dias, mostra que o estilo e a cultura do rock já não são os mesmos de outrora, não têm mais espaço. Os solos gigantes e o improviso faziam as pessoas sentarem ou consultarem as redes sociais.

A plateia pouco se inflamou: precisou que Tyler usasse todo seu carisma para fazer o público se mexer. Quando os braços que lotavam o estádio se levantavam, traziam consigo os celulares que cada vez mais dominam os espetáculos musicais. Será que a memória dos smartphones consegue captar um momento que provavelmente não vai se repetir?

O Aerosmith já anunciou que o final de suas turnês não deve passar do ano que vem.  É possível arriscar dizer que a última vez que Steven Tyler e seus companheiros tocaram em Porto Alegre não foi um show de rock, mas sim o show de uma banda de rock. Um lampejo muito vívido de algo que foi muito bom no passado e que hoje é bom lembrar de vez em quando.

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