Cultura

16 anos, um CD e muito pé no chão: conheça a Black Blood

Apadrinhados por Diego Dias, da Vera Loca, a banda já tem 5 anos na estrada

São 16 horas  e o jovem Diogo Martiny se desculpa. “Foi mal, não deu tempo de almoçar. É que eu saio às 5:30 e só volto às 14:00 da escola. Depois tenho o ensaio da banda, pois temos shows nos próximos quatro finais de semana”, explicou, debruçado sobre um prato com dois pedaços de pizza e um copo de refrigerante. A escola pode parecer comum para qualquer garoto de 16 anos de idade. Já, o ensaio e a rotina de shows é algo incomum a um pessoa com tão pouca idade.

Diogo Martiny, 16 anos, Gustavo Boenny, 18 anos, Kauê Mayrer, 16 anos e Nicolas Maia, 17 anos, são a Black Blood, uma banda de Rock da cidade de Feliz, no interior do Rio Grande do Sul. Há 5 anos na estrada (isso mesmo, desde 2012!), o grupo já está lançando seu primeiro CD. O disco chamado Início, Meio e Recomeço está em seus ajustes finais e será divulgado em breve.

 

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Da esquerda para a direita: Gustavo Boenny (Baixo), Nicolas Maia (Bateria), Diogo Martiny (Guitarra Solo), Kauê Mayrer (Guitarra Base/Vocal) – Foto: Manoella Maia

 

Feliz é uma cidade com pouco mais de doze mil habitantes,  uma população onde predomina a descendência alemã. No entanto, possui um cenário de bandas de rock bem difundido no Vale do Caí. A Black Blood foi iniciada em 2012, quando os jovens com idades entre 11 e 13 anos se conheceram, na orquestra municipal da própria cidade. “A gente se conheceu lá e como cada um já tocava um instrumento e todos gostávamos de rock, resolvemos nos reunir e fazer um som.”, explica o baterista Nicolas Maia. Os garotos ensaiavam na casa do guitarrista solo do grupo, Diogo Martiny.

O tempo passou e Faustino Martiny, o pai do guitarrista, percebeu que eles estavam evoluindo e que poderiam dar um passo à frente. Com isso, Martiny conseguiu uma oportunidade para se apresentarem, num pub, em Nova Petrópolis. “Depois desta apresentação, os meninos mostraram que poderiam evoluir. Não sou do ramo da música, mas tento ajudar como posso para que sempre estejam se apresentando e mostrando o que sabem”, explica o pai de Diogo. Entretanto, foi em 2013, que a brincadeira virou algo sério, quando o tecladista da banda Vera Loca Diego Dias começou assumiu a produção do grupo. Por intermédio de Martiny, Dias conheceu os garotos e percebeu que dali poderia “sair algo bom”. Mas essa história é mais uma daquelas que todo bom grupo de rock que se preze tem.

Em 2013, a Black Blood foi convocada para sua primeira grande apresentação, que seria a abertura do show da Vera Loca. No entanto, ao chegar ao bar onde iriam se apresentar, se depararam com um problema: os integrantes da Vera Loca proibiram os garotos de subirem ao palco, pois os instrumentos já estavam lá instalados. Portanto, a Black Blood não pôde se apresentar. Com raiva, eles saíram do bar e murcharam o pneu da van da Vera Loca. “A gente estava com muita raiva e fizemos isso. Foi muito engraçado e o mais importante é que no final deu tudo certo”, explica Nicolas.

 

Em entrevista à Beta Redação, o tecladista da banda Vera Loca contou um pouco mais de sua relação com os jovens da Black Blood.

Foto: Site oficial Banda Vera Loca

Foto: Site oficial Banda Vera Loca

Beta Redação – Você é uma espécie de “padrinho” da banda, é  isso mesmo? Como é a sua relação com eles?

Diego Dias – Na verdade, eu trabalho muito com bandas novas que acabam chegando em mim por causa da Vera Loca. E a relação virou uma grande amizade por vários motivos. Porque temos afinidades musicais e também pelas pessoas que eles são. São gente muita boa e eu prezo muito isso. Confesso que não imaginava que eles eram tão bons tendo em vista a idade que tinham.

Beta Redação – Como você tem contato e acompanha a evolução deles? Que tipo de virtude vê  para poderem fazer tanto sucesso quanto a Vera Loca?

Diego Dias – Acompanho diariamente a evolução. Certamente, hoje eles estão ainda melhores por motivos óbvios. Na música, sempre estamos em constante evolução e com eles não é diferente. A principal virtude que me chamou a atenção é na parte técnica mesmo. São músicos muito avançados para idade que tem. Impressionam mesmo. O mercado da música se movimenta de uma forma que fica difícil saber o que será sucesso. Até o que é sucesso pra uns, não é pra outros. Acho que se eles tiverem a perseverança da Vera Loca podem ir até mais longe.

Beta Redação – Tem algum conselho ou recomendação que sempre passa para os garotos?

Diego Dias – Meu conselho é sempre ter os pés no chão. Não se deslumbrar com esse meio. E, principalmente, não se abalar com os “nãos” que recebemos nessa caminhada. Quem tem paciência e perseverança tende a chegar mais longe, principalmente se há talento, que é o caso deles.

 

Dias e os garotos acreditam que o que faz uma banda evoluir é a aplicação e obstinação pela qualidade e técnica musical. “A gente trabalha bastante para poder seguir na música, pois não somos mais aqueles meninos de 12 anos que todo mundo achava bonitinho cantando rock pesado”, explicou o vocalista Kauê Mayrer.

O professor de música dos jovens, Daniel Stoffels, 36 anos, explica a importância da técnica para continuar em processo de evolução. “O desenvolvimento é proporcional ao tempo diário de estudo, no entanto, eles devem estar cientes que a música é 70% do grupo. Me sinto grato por terem me escolhido para aprender música, mas, principalmente, por ser responsável pelo seu desenvolvimento como integrantes da sociedade, explana Stoffels.

O grupo espera que com o CD – que contém 10 músicas – todas de autoria própria, possa difundir ainda mais o trabalho que estão fazendo e mostrar seu crescimento no meio musical. “Quando começamos, a gente só tocava Metal. Hoje, temos como principal referência a própria Vera Loca, além da Cachorro Grande, sem perder o gosto por Guns N’ Roses, é claro”, explicou Diogo. Os jovens já tocaram em bares como o Divina Comédia e El Toro. Em Porto Alegre também tocaram na Arena do Grêmio e estão com a agenda cheia no mês de Abril. “Quem vai no nosso show percebe de cara que já temos uma identidade. O Diogo e o Gustavo são mais tranquilos no palco, mas se deixar, o Kauê sobe em cima de tudo, enrola todo mundo com o cabo do microfone, para agitar a galera”, brinca Nicolas.

Caso queira conhecer a banda, acesse o perfil da Black Blood. Agora, curta o primeiro single do grupo, “Como se fosse”.

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